Vacina 100% nacional contra a dengue – O Ministério da Saúde firmou recentemente um contrato para a compra das primeiras doses da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Trata-se do primeiro imunizante de dose única do mundo contra a doença, com produção 100% nacional, que será oferecido exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 2026.
Com o acordo, o Governo Federal vai investir R$ 368 milhões para garantir o fornecimento inicial de 3,9 milhões de doses à rede pública de saúde. No ato da assinatura do contrato, 300 mil doses já estavam prontas para serem embaladas e entregues ao Ministério da Saúde.
Esse primeiro lote faz parte de um total de 1,3 milhão de doses já produzidas e que terão como destino prioritário os profissionais da Atenção Primária à Saúde em todo o país — trabalhadores que atuam diretamente na linha de frente do SUS. Estão incluídos agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos que realizam visitas domiciliares. A previsão é que essa etapa da estratégia de vacinação tenha início no fim de janeiro de 2026.
A Associação São Luiz Saúde reforça que a chegada desse novo imunizante representa um avanço histórico, mas alerta que a adesão da população à vacinação contra a dengue é fundamental para reduzir casos graves, internações e óbitos, especialmente em um país que convive com surtos recorrentes da doença.
Durante a assinatura do contrato, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância do momento. “Hoje é um dia de grande vitória para o Brasil. Como ministro da Saúde, eu não queria encerrar o ano sem firmar este contrato. Este é um dos marcos de um ano de importantes recordes na área da saúde, fruto do trabalho com o Instituto Butantan. A assinatura é essencial para garantir que as vacinas cheguem ao Ministério da Saúde e sejam distribuídas em todo o país”, afirmou. Padilha também ressaltou a capacidade técnica envolvida no desenvolvimento da vacina, resultado do trabalho conjunto de pesquisadores, trabalhadores e servidores do Instituto Butantan.
Com a chegada das primeiras doses, ainda no início do ano, o Ministério da Saúde colocará em prática uma estratégia específica para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica de transmissão da dengue. Para isso, será realizada uma ação de aceleração da vacinação em dois municípios-piloto: Botucatu, em São Paulo, e Maranguape, no Ceará. Nessas cidades, o público-alvo será composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos. Uma terceira localidade, Nova Lima, em Minas Gerais, também poderá ser incluída nessa etapa.
A definição do público prioritário ocorreu após reunião técnica com especialistas, seguindo recomendação da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI), responsável por avaliar dados científicos e orientar as estratégias nacionais. A nova vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.
Por ser administrada em dose única e contar com um esquema vacinal mais simples, a vacina facilita a adesão da população e permite uma resposta mais rápida no controle da doença. O registro do imunizante foi concedido pela Anvisa em 8 de dezembro, e a assinatura do contrato é considerada um marco para a saúde pública brasileira e para o enfrentamento da dengue.
Parceria internacional deve ampliar produção em até 30 vezes
A ampliação da vacinação para a população em geral dependerá do aumento da capacidade produtiva. Isso será possível graças a uma parceria estratégica entre Brasil e China, que prevê a transferência da tecnologia desenvolvida pelo Instituto Butantan para a empresa chinesa WuXi Vaccines. Com essa cooperação, a produção da vacina nacional poderá ser ampliada em até 30 vezes.
A estratégia de vacinação em larga escala deverá começar pelos adultos a partir de 59 anos, com expansão gradual para faixas etárias mais jovens, até alcançar o público a partir de 15 anos. Estudos indicam que a vacina apresenta 74,7% de eficácia contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos, além de 89% de proteção contra formas graves e casos com sinais de alarme.
Investimentos, produção nacional e transferência de tecnologia
O desenvolvimento da Vacina 100% nacional contra a dengue contou com investimento de R$ 130 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de aportes contínuos do Ministério da Saúde. Atualmente, a pasta destina mais de R$ 10 bilhões por ano ao fortalecimento de laboratórios públicos e à produção nacional de imunizantes estratégicos para o SUS. Com a vacina da dengue e a parceria com a China, esse volume de investimentos deve chegar a R$ 15 bilhões.
Dentro do Novo PAC Saúde, estão previstos mais de R$ 1,2 bilhão para ampliar a capacidade produtiva do Instituto Butantan, incluindo a infraestrutura necessária para a fabricação da Vacina 100% nacional contra a dengue.
O SUS também disponibiliza a vacina contra a dengue produzida por um laboratório japonês, indicada para adolescentes de 10 a 14 anos e aplicada em duas doses. Desde sua incorporação ao sistema público, em 2024, 7,4 milhões de doses já foram aplicadas. Entre 2024 e 2025, foram distribuídas 11,1 milhões de doses, com 7,8 milhões efetivamente aplicadas.
Cenário epidemiológico e prevenção
Em 2025, o Brasil registrou uma redução de 75% nos casos prováveis de dengue e de 72% nos óbitos em comparação com 2024. Apesar desse avanço significativo, o combate ao mosquito Aedes aegypti e a manutenção das ações de prevenção continuam sendo essenciais.
Em novembro, o Ministério da Saúde lançou a campanha nacional “Não dê chance para dengue, zika e chikungunya”, que segue em andamento e tem como foco a prevenção das arboviroses. O enfrentamento dessas doenças depende da ação conjunta entre governo e sociedade. Entre as principais medidas preventivas estão:
– uso de telas em janelas e repelentes em áreas com transmissão reconhecida;
– eliminação de recipientes que possam se transformar em criadouros do mosquito;
– vedação adequada de reservatórios e caixas d’água;
– limpeza regular de calhas, lajes e ralos;
– adesão e apoio às ações de prevenção e controle realizadas pelos profissionais do SUS.
Com informações de Marcella Motta
Fonte: Ministério da Saúde
06 de janeiro de 2026
Associação São Luiz Saúde
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